BIODIVERSIDADE
As preocupações com a sobrevivência dos ecossistemas terrestres têm sido pretexto para a produção de escritos, realização de conferências, projectos de intervenção, investigações científicas à larga escala... os primeiros escritos remontam ao séc. XVIII, quando Linné (1728) apresenta o seu sistema de classificação de espécies e escreve: “Se uma única função importante faltasse no mundo animal, seria de recear o maior desastre no universo”. Um século depois Darwin (1872) propõe um Modelo de especiação, mostrando os mecanismos envolvidos na evolução de novas espécies.
Apesar de controversos, Linné e Darwin foram cruciais para a evolução do conhecimento científico para o conhecimento das espécies, um pela classificação e outro pela especiação, sendo ainda referências nas investigações e estudos científicos actuais. A emergência da preservação das espécies está presente nos diversos discursos, isto porque se estima que exista na Natureza 1 700 000 de espécies de organismos vivos, concentrando-se a sua maior diversidade em 25 hotspots, como mostra a figura:

Estes locais todos juntos não ultrapassam 1,4% da superfície do planeta (contém perto de metade do total das espécies de plantas e a terça parte do total das espécies de vertebrados terrestres). A situação é tanto mais preocupante quando se verifica que do total de hotspots, 7% estão sob pressão das actividades humanas (interesses económicos) desses países.
Pela quantidade de espécies expressas poder-se-ia pensar que a perda de algumas não seria um prejuízo, uma vez que a extinção faz parte da natureza, mas ao se considerar que – “mais de 99% de todas as espécies que já existiram estão hoje extintas (Leakey, 1996, referido em Jonsson, 2003)”, há a recear a manutenção dos sistemas naturais, consequentemente o normal funcionamento dos ecossistemas.
“A diversidade é a força da Vida na Terra, sem ela não existiria evolução nem possibilidade de alterações e adaptações. Talvez por esse motivo, a variedade de formas de vida é avassaladora, principalmente nas zonas tropicais dos continentes africano e sul americano. Na Europa e na Ásia essa variedade é menor mas ainda assim fundamental para o equilíbrio dos ecossistemas de clima temperado que nos são familiares.” (Curlygirl, 2003) [1]
A biodiversidade constitui uma das propriedades fundamentais da natureza, responsável pelo equilíbrio e estabilidade dos ecossistemas e fonte de imenso potencial económico. É a base das actividades agrícolas, pecuárias, pesqueiras e florestais. No entanto, as funções ecológicas que desempenha no meio são ainda pouco compreendidas, embora se lhe atribua responsabilidade: pelos processos naturais, pelos produtos fornecidos pelos ecossistemas e pelas espécies que sustentam a vida tornando-a apropriada e segura.
A biodiversidade não se distribui de forma similar na natureza – nas zonas mais quentes as espécies são mais numerosas do que nas zonas frias; algo similar acontece em relação aos sítios húmidos e secos; as zonas do planeta menos sujeitas à sazonalidade são preferidas àquelas com diferenças muito demarcadas. No geral, são as florestas húmidas tropicais que concentram maior diversidade biológica. As espécies que as compõem foram o resultado de uma história evolutiva que ainda perdura e constituem um ex-líbris que precisa a todo o custo preservar.
Esta necessidade de preservação relaciona-se com a já longa história da actividade do homem na natureza. Com o intuito de extrair dela o sustento, o abrigo, a riqueza… conduziu o meio terrestre a uma rápida degradação, tendo como consequência a extinção de inúmeras espécies. Hoje, só através de uma consciencialização pública do valor da biodiversidade se poderá proteger o nosso património natural e de garantir com isso a sustentabilidade e sobrevivência da vida no planeta.
A biodiversidade não só proporciona benefícios directos, como também é um suporte de vida, pelo que é um bem precioso para o equilíbrio dos ecossistemas naturais. Com efeito, é cada vez mais considerada como pilar do desenvolvimento sustentável, tendo vindo a afirmar-se como imperativo da acção política e de desenvolvimento cultural e sócio-económico à escala planetária.
[1] Retirado do site http://curlygirl2.no.sapo.pt/biodiversidade.htm