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13 novembro, 2005

BIODIVERSIDADE

As preocupações com a sobrevivência dos ecossistemas terrestres têm sido pretexto para a produção de escritos, realização de conferências, projectos de intervenção, investigações científicas à larga escala... os primeiros escritos remontam ao séc. XVIII, quando Linné (1728) apresenta o seu sistema de classificação de espécies e escreve: “Se uma única função importante faltasse no mundo animal, seria de recear o maior desastre no universo”. Um século depois Darwin (1872) propõe um Modelo de especiação, mostrando os mecanismos envolvidos na evolução de novas espécies.
Apesar de controversos, Linné e Darwin foram cruciais para a evolução do conhecimento científico para o conhecimento das espécies, um pela classificação e outro pela especiação, sendo ainda referências nas investigações e estudos científicos actuais. A emergência da preservação das espécies está presente nos diversos discursos, isto porque se estima que exista na Natureza 1 700 000 de espécies de organismos vivos, concentrando-se a sua maior diversidade em 25 hotspots, como mostra a figura:



Estes locais todos juntos não ultrapassam 1,4% da superfície do planeta (contém perto de metade do total das espécies de plantas e a terça parte do total das espécies de vertebrados terrestres). A situação é tanto mais preocupante quando se verifica que do total de hotspots, 7% estão sob pressão das actividades humanas (interesses económicos) desses países.

Pela quantidade de espécies expressas poder-se-ia pensar que a perda de algumas não seria um prejuízo, uma vez que a extinção faz parte da natureza, mas ao se considerar que – “mais de 99% de todas as espécies que já existiram estão hoje extintas (Leakey, 1996, referido em Jonsson, 2003)”, há a recear a manutenção dos sistemas naturais, consequentemente o normal funcionamento dos ecossistemas.

“A diversidade é a força da Vida na Terra, sem ela não existiria evolução nem possibilidade de alterações e adaptações. Talvez por esse motivo, a variedade de formas de vida é avassaladora, principalmente nas zonas tropicais dos continentes africano e sul americano. Na Europa e na Ásia essa variedade é menor mas ainda assim fundamental para o equilíbrio dos ecossistemas de clima temperado que nos são familiares.” (Curlygirl, 2003) [1]

A biodiversidade constitui uma das propriedades fundamentais da natureza, responsável pelo equilíbrio e estabilidade dos ecossistemas e fonte de imenso potencial económico. É a base das actividades agrícolas, pecuárias, pesqueiras e florestais. No entanto, as funções ecológicas que desempenha no meio são ainda pouco compreendidas, embora se lhe atribua responsabilidade: pelos processos naturais, pelos produtos fornecidos pelos ecossistemas e pelas espécies que sustentam a vida tornando-a apropriada e segura.

A biodiversidade não se distribui de forma similar na natureza – nas zonas mais quentes as espécies são mais numerosas do que nas zonas frias; algo similar acontece em relação aos sítios húmidos e secos; as zonas do planeta menos sujeitas à sazonalidade são preferidas àquelas com diferenças muito demarcadas. No geral, são as florestas húmidas tropicais que concentram maior diversidade biológica. As espécies que as compõem foram o resultado de uma história evolutiva que ainda perdura e constituem um ex-líbris que precisa a todo o custo preservar.

Esta necessidade de preservação relaciona-se com a já longa história da actividade do homem na natureza. Com o intuito de extrair dela o sustento, o abrigo, a riqueza… conduziu o meio terrestre a uma rápida degradação, tendo como consequência a extinção de inúmeras espécies. Hoje, só através de uma consciencialização pública do valor da biodiversidade se poderá proteger o nosso património natural e de garantir com isso a sustentabilidade e sobrevivência da vida no planeta.

A biodiversidade não só proporciona benefícios directos, como também é um suporte de vida, pelo que é um bem precioso para o equilíbrio dos ecossistemas naturais. Com efeito, é cada vez mais considerada como pilar do desenvolvimento sustentável, tendo vindo a afirmar-se como imperativo da acção política e de desenvolvimento cultural e sócio-económico à escala planetária.


[1] Retirado do site http://curlygirl2.no.sapo.pt/biodiversidade.htm

4 comentários:

Desambientado disse...

A vergonha começa a desaparecer, ainda bem.
O Post sobre biodiversidade é interessante, e deixa-nos preocupados. Mas como se compatibiliza a conservação da biodiversidade com a fome,com falta de condições sanitarias, com falta de educação, entre outros aspectos que grassam nalguns locais onde existem hot-spots?
Esta não é uma pergunta para responder, mas uma questão para discutir.

Fátima Silva disse...

Gostaria apenas de pensar em voz alta, porque àquilo que questiona não vou ser capaz de responder.
De facto compatibilizar os hotspots de biodiversidade com as necessidades básicas dos povos é no mínimo perturbador. Mais perturbador quando se sabe que se comercializa miséria em vez de riqueza e progresso.No entanto, "I´m a dreamer" e acredito, que um dia haverá uma consciência colectiva capaz de salvar o homem e o ambiente, mesmo que, nessa altura, em vez de 25 sejam 15 os hotspots a conservar.

Desambientado disse...

Efectivamente..."Sempre que o homem sonha, o Mundo pula e avança, como uma bola colorida, na mão de uma criança" já dizia Rómulo de Carvalho (António Gedeão).

Anónimo disse...

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